
Na noite desta quinta-feira (05), Doja Cat subiu ao palco da Suhai Music Hall, em São Paulo, para apresentar o show da “Ma Vie World Tour”, o único da turnê a passar pelo Brasil.
Promovendo o 5º álbum de sua carreira, “Vie”, lançado em setembro do ano passado, Doja Cat trouxe para a nova turnê um espetáculo simples em termos de estrutura, mas nem por isso menos completo. Incorporando as referências dos anos 80 – inclusive no look marcado por sobreposições de renda e animal print e a maquiagem vibrante e colorida – a cantora deu início ao show com “Cards”, mesma faixa de abertura de “Vie”.
Apesar de ter como foco principal divulgar seu último álbum, sucessos mais antigos não poderiam ficar de fora da setlist do show, como “Kiss Me More” (apesar de ter sido encurtada) e “Get Into It (Yuh)”. Apesar das duas músicas serem parte da era pop de “Planet Her”, ambas as performances ganharam uma outra roupagem pela performance de alta qualidade musical da banda de Doja Cat. Com os músicos vestindo ternos brancos, os instrumentos de sopro foram um show à parte e trouxeram um interessante contraste com o rap cantado em “Gorgeous”.
Apesar dos quase 4 anos que se passaram desde sua última vinda ao Brasil, Doja Cat mostrou que continua bastante carismática. Exemplo disso foi a performance de “Take Me Dancing” que, além de ter feito jus ao título da música trazendo grandes passos de dança, também contou com uma pequena interação no estilo “o mestre mandou” de Doja com o público. Após a performance também encurtada de “Woman”, um dos maiores hits de sua carreira, o público fez questão de demonstrar todo o carinho pela artista com diversas declarações.
Ao longo das quase duas horas de show, os fãs não deixaram de expressar a felicidade genuína por estarem diante de Doja Cat. Mesmo em faixas como “Acts of Service”, que o refrão parecia ser a única parte realmente engajada pelo público, músicas como “Ain’t Shit”, “Agora Hills”, “Paint The Town Red”, “Need To Know” e “Boss Bitch” tornaram-se ainda mais intensas pela emoção cantada em cada verso e a aclamação ao final.
Outro destaque do show de Doja Cat foi a dedicação da cantora às coreografias feitas no palco. Músicas como “Make It Up”, “Silly! Fun!” (tornando-se ainda mais leve e divertida pela ), “Juicy” e “Streets” (duas das mais nostálgicas) trouxeram diferentes passos e rebolados feitos por Doja, elevados ainda pelo uso do pedestal e o cabo do microfone como complementos para as performances.
Se, de um lado, Doja Cat mostrou sensualidade de forma sutil nas coreografias, a parte final do show foi marcada por movimentos mais escrachados e explícitos, como em “Wet Vagina”, que se destacou ainda pelo solo final de bateria no mesmo estilo das escolas de samba brasileiras (coincidentemente ou não). Incorporando a polêmica persona de sua era “Scarlet” (2023), a cantora reafirmou sua veia artística no rap em performances potentes de “WYM Freestyle”, “Demons” e “Tia Tamera”.
Por mais que Doja Cat tenha renegado há um tempo atrás seu lado mais pop, a era “Vie” parece ter vindo como uma forma de mostrar para a própria cantora que é sempre possível recalcular a rota. Incluir referências dos anos 80 como a frase de “007 – Na Mira dos Assassinos” na introdução de “All Mine” e o sample do seriado “A Super Máquina” em “AAAHH MEN!” trouxeram uma roupagem tão confortável para a própria cantora, que mostrou-se extremamente à vontade durante no palco, quanto aos espectadores, que puderam presenciar um encontro de gerações com performances oitentistas de músicas atuais. Isso foi possível graças à combinação da qualidade vocal de Doja Cat e musical da banda, sendo um dos destaques o explosivo cover de “I’m a Man”, da banda The Spencer Davis Group.
Apesar de Doja Cat ter optado por entregar um espetáculo direto de apenas um ato, os fãs não pareceram sentir falta de momentos de conversa. Literalmente tendo dito que sentiu saudade do Brasil, a cantora não economizou também nas caras e bocas, ou no tom divertido de suas performances, como o coro de “hey” e “ohs” que dividiu os dois lados do Suhai Music Hall em “One More Time” após o forte coro brasileiro de “Doja, eu te amo” que finalizou a anterior “Stranger”.
Depois de elevar ainda mais a energia do público com a aguardada performance de “Say So”, que funcionou muito bem com a versão musical a la anos 80, Doja Cat finalizou o espetáculo com uma versão ao vivo eletrizante de “Jealous Type”: show de luzes, forte presença de saxofones e a despedida da cantora jogando algumas rosas vermelhas aos fãs – exatamente como a tradição eternizada pelo cantor Roberto Carlos – deixaram no público a esperança de que Doja Cat ainda possa voltar ao Brasil com a “Ma Vie World Tour”; ou que pelo menos não demore 4 anos para se apresentar no país.




