
Já dizia o sábio: “a esperança é a última que morre.”
Quando quase todos os fãs achavam que era impossível a ideia de um show do My Chemical Romance por aqui de novo, a banda anunciou duas datas no Brasil para celebrar os 20 anos do disco “The Black Parade“.
Curiosamente, a primeira (e até então) única vez que a banda veio para cá, foi em 2008, no final da turnê de divulgação desse mesmo disco.
Nesta quinta-feira (05) veio a redenção, e aconteceu o primeiro show dessa nova passagem da banda por aqui. Uma espera de quase duas décadas para ver os caras que, embora rejeitassem o rótulo “emo“, marcaram uma geração não somente no gênero musical que fez sucesso no início dos anos 2000, mas também ditaram moda na estética, e até hoje influenciam novos grupos.
A banda subiu ao palco minutos antes das 21h, depois da abertura do The Hives. Lógico que, como se tratava de uma celebração de aniversário do disco “The Black Parade“, o MCR se preocupou em focar no álbum.
Portanto, a banda dividiu o show em 2 atos, com direito a tudo: atuação, performance, atores, figurinos, discursos políticos, e muito mais. Afinal, o disco é praticamente uma ópera rock, em que as faixas se conversam, contando uma história que envolve amor, morte e revolta. A performance? Um espetáculo teatral. No palco, um olho gigante inspirado no livro “1984“, de George Orwell, se movimentava fazendo referência à vigilância constante. A obra foi uma grande influência para o vocalista, Gerard Way.
No primeiro ato, a banda se mantém o tempo todo atuando, e nem interage com o público. Quando eles retornam para o segundo ato, já “saíram do personagem”, e o vocalista já está sorridente, cumprimentando os fãs, e visivelmente feliz: “Obrigado“, ele diz em português, e completa afirmando que é tudo o que ele tem para entregar em nosso idioma.
Músicas como: “I Don’t Love You”, “Teenagers”, “Famous Last Words”, “I’m Not Okay (I Promise)“, e, é claro, “Helena“, faixa que é considerada um verdadeiro hino, todas elas foram protagonizadas pelo público, que as cantou aos berros. Alguns, choravam enquanto viam a banda no palco.
O vocalista Gerard Way, com o cabelo, a roupa e a maquiagem que marcaram uma época da banda, fazia parecer que o tempo não havia passado. Não somente para eles no palco, mas para uma plateia que voltou a ser “adolescente”.
Alguns pais levaram seus filhos para curtirem a “banda que marcou a juventude deles”. Como foi o caso do tatuador Raphael Zaneti, que levou a filha, Yasmin.
“Sou fã da banda desde o começo, e, por acaso, minha filha veio me mostrar um som, e vi que era My Chemical Romance. Dei risada, e mostrei os CDs que eu tinha em casa. Contei que eu também curtia. Estar aqui realizando o meu sonho de adolescente, e também aqui com ela, é incrível”, explicou.
Visivelmente emocionados com a recepção do público brasileiro, os caras do My Chemical Romance tocaram para milhares de fãs apaixonados, que, rapidamente esqueceram a ausência do Brasil nas agendas de shows da banda. Está tudo “perdoado”.
Se o My Chemical Romance têm planos para o futuro? Se retornarão somente daqui quase 20 anos novamente? Esse assunto não cabe agora. O que interessa é que os fãs da banda viveram uma noite histórica e emocionante.
I am “OKAY”!




