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[Exclusivo] Portugal. The Man fala sobre Tim Maia, parceria com Marshmello e revela: “todo artista adora o Brasil”

Vocalista John Gourley ainda falou sobre vinda ao Brasil, assim que possível
Foto: Reprodução

A Rádio MIX bateu um papo exclusivo com o John Gourley, vocalista da banda de rock alternativo Portugal. The Man.
Formada no Alasca, o Portugal. The Man lançou recentemente uma parceria com o DJ e produtor musical, Marshmello, e, nessa conversa, John aproveitou para falar sobre diversos assuntos: desde o amor pela música, e os novos desafios da carreira; até a vinda ao Brasil, o amor pelos fãs brasileiros, e explicou o porquê está amando ouvir Tim Maia.

Rádio MIX: É um prazer falar com você. Queria começar parabenizando pela música “Phoenix”, em parceria com o DJ e produtor Marshmello. Como foi essa parceria?

John: Sim. Sabe, eu nunca tinha trabalhado com o Marshmello antes. Mas, desde o momento em que ele entrou em contato comigo, eu meio que já sabia que seria legal e tranquilo. Foi realmente muito divertido. Eu realmente gostei da experiência de trabalhar com ele e também do processo de composição. A forma como eles entraram no estúdio trouxe uma atmosfera muito leve. Sabe? Às vezes você entra no estúdio e a energia já está ali para criar algo muito divertido, empolgante e, tipo… a música tem uma vibe muito de verão. Ela passa uma sensação de sol, de dias ensolarados…

Rádio MIX: E sobre as suas letras? Você se considera uma pessoa romântica no modo como você vê o mundo? Que tipo de mensagem você quer passar pros fãs?

John: Sim, eu diria que sim. Acho que se trata de renascimento. Acho que é disso que a vida trata. Vindo do Alasca e tendo proximidade com as culturas indígenas da região, aprendi que a vida é feita desses diferentes momentos. A cada etapa do caminho, passamos por novas experiências — é como um renascimento, aprendendo coisas novas sobre essa nova fase da vida.

E isso se aplica aos relacionamentos e a toda essa jornada que vivemos. Acho que é uma mensagem muito importante: não esquecer que fomos feitos para passar por essas experiências. Fomos feitos para mudar. Fomos feitos para descobrir algo novo. É para isso que estamos aqui.

Tudo isso faz parte da jornada que chamamos de vida.

Rádio MIX: E o que mudou em você como pessoa, como profissional, desde o primeiro disco?

John: Houve muitas mudanças. Quero dizer, no que diz respeito à minha música, eu trabalho com muitas pessoas diferentes e passo por vários momentos distintos. Eu gosto muito da energia de algo novo.

Quando fiz meus primeiros álbuns, a ideia era colocar todas as ideias para fora. Fazer tudo o que viesse à cabeça, sem pensar demais. E, ao longo do caminho, fui aprendendo lições e começando a aplicar o que aprendi sobre composição para criar algo que realmente transmitisse uma sensação autêntica.

Nós acabamos fazendo músicas enormes, e isso foi resultado de anos fazendo o que eu queria fazer e desenvolvendo a confiança de pensar: “Sabe de uma coisa? Acho que consigo escrever uma música assim. Acho que consigo fazer isso.”

E agora é muito bom, falando sobre a fênix, o renascimento e estar nesse lugar de algo novo. Eu terminei meu contrato com a Atlantic Records. Concluí esse ciclo e lancei um novo álbum chamado SHHH, que saiu no final do ano passado, há apenas alguns meses.

É um álbum muito pesado, muito diferente e bastante caótico. É puro caos. E eu sentia que era isso que precisava colocar para fora. Era exatamente o que eu imaginava fazer depois de deixar a Atlantic Records.

Eu me perguntava: “O que vou fazer agora? Quero continuar escrevendo músicas de forma muito estruturada ou quero mergulhar no caos?” E sinto que abraçar esse caos me dá a oportunidade de fazer coisas como a que fiz com o Marshmello.

“Quero me divertir fazendo músicas pop e dançantes, aquelas músicas leves com clima de verão. Mas também quero explorar o lado oposto nos meus próprios álbuns, sem me prender a regras, criando algo completamente louco e imprevisível. Acho que isso reflete quem eu sou. Minha personalidade é meio caótica, e gosto de abraçar essa energia na minha arte.”

Rádio MIX: Qual é a melhor parte de fazer música? Produção, composição, shows e colaborações?

John: Acho que, para mim, pessoalmente, sou uma espécie de introvertido. Quer dizer, eu sou uma pessoa introvertida. Na verdade, tenho ansiedade social. Tenho ansiedade no palco, sinto medo de me apresentar.

Então, a forma como vejo as apresentações é a seguinte: eu adoro observar como as pessoas reagem à música. Adoro ver as pessoas dançando. É uma das minhas coisas favoritas no mundo. Eu mesmo não sou dançarino, mas adoro assistir outras pessoas dançarem.

E essa tem sido a parte mais especial de fazer música, porque me permite estar em ambientes onde as pessoas compartilham uma experiência juntas, vivendo um momento em torno da música que é muito significativo para elas. Isso cria memórias e estabelece uma conexão muito bonita entre a experiência de criar no estúdio e a experiência ao vivo.

Sinceramente, eu poderia passar o resto da minha vida dentro de um estúdio fazendo música. Poderia fazer isso o dia inteiro, todos os dias. Essa é a parte mais fácil para mim.

Mas levar essa música para diante do público é um desafio. É quase como um esporte. É como jogar basquete ou praticar qualquer outro esporte: você precisa entrar em quadra e tentar vencer o jogo. Existe um pouco dessa sensação de apresentar algo às pessoas e perguntar: “O que vocês acham? Gostam disso? Como isso faz vocês se sentirem?”

E eu gosto desse desconforto. Gosto dessa sensação de vulnerabilidade ao me expressar. Porque você precisa se expor para descobrir que outras pessoas também sentem as mesmas coisas.

Rádio MIX: Você se lembra das primeiras experiências que teve com música? Os primeiros contatos que você teve com a música e adorou?

John: Sim. Foram os The Beatles. Quer dizer, tive muitos momentos diferentes com a música que me levaram a lugares muito especiais.

Mais recentemente, Tim Maia foi uma grande descoberta para mim. Eu trabalhei com Mike D, dos Beastie Boys, que é um dos meus grandes ídolos. Falando das minhas primeiras experiências ouvindo música, os Beastie Boys foram um daqueles grupos que me fizeram pensar: “Meu Deus, música pode ser empolgante. Pode ser divertida. Pode ser apenas um grupo de amigos se divertindo, sem levar tudo tão a sério.”

Quer dizer, nada nos Beastie Boys parece sério, e ao mesmo tempo tudo neles é sério.

Um dia eu estava com o Mike, e ele começou a colocar discos do Tim Maia para tocar. Eu fiquei ali ouvindo e pensando: “O que é isso?” Era algo tão diverso, tão imprevisível. Em um momento era psicodélico, depois parecia algo mais tradicional, e então mudava completamente de direção. E aquilo me lembrou os Beatles, que foram a minha primeira grande experiência como ouvinte de música.

Então eu tenho a sorte de viver muitos desses momentos. Sinto uma enorme gratidão pela quantidade de lugares que posso conhecer, pela oportunidade de viajar, descobrir músicas novas e estar cercado por novas influências musicais.

Rádio MIX: O Tim Maia tinha “o swing”. Era único.

John: Tem mesmo. A maneira como ele sente a música. Acho que foi isso que me atraiu imediatamente: a sensação que as músicas transmitem. Existe uma naturalidade, uma leveza muito grande.

Para mim, música sempre se conecta com skate. Não sei, foi o ambiente em que cresci. Então é como acertar perfeitamente uma transição numa pista de skate. Ou como surfar uma onda perfeitamente.

O som do Tim Maia me lembra o surfe. Parece um esporte radical praticado por alguém que é extremamente habilidoso e faz tudo parecer fácil.

É assim que o Tim Maia soa para mim. O que ele faz é muito complexo, muito intenso, mas ele sempre acerta. E tudo parece suave, natural e sem esforço. Esse é o seu groove, a sua pegada, a sua maneira única de sentir a música.

Rádio MIX: De acordo com o seu gosto musical, como você montaria o line-up de um festival?

John: Acho que, se eu fosse organizar um festival, escolheria artistas que fossem originários da terra onde o evento acontecesse. Então, provavelmente faria isso no Alasca. Convidaria Ya Tseen, Ashley Young e Quinn Christopherson.

Eu procuraria trazer artistas que têm ligação com aquela região, porque acredito que essa é a coisa mais especial que se pode fazer. Eu gosto de aprender sobre a terra, sobre a cultura local. Gosto de estar imerso nisso. Então, se eu estivesse no Brasil, chamaria o Sepultura. Chamaria Max Cavalera. É assim que eu vejo as coisas. Vamos reunir a galera e celebrar a música que nasceu naquele lugar.

Rádio MIX: Quando a gente fala em Brasil, qual é a primeira coisa que você pensa?

John: A primeira coisa que me vem à mente é que tenho um grande amigo aí chamado Guga. Tem alguns artistas que vimos em São Paulo e que sempre me vêm à cabeça quando penso no Brasil. Eu penso nessa cultura tão rica. Penso na comida. Penso nesses espaços criativos incríveis. Na minha primeira vez em São Paulo, fui apresentado ao meu amigo Guga e nós simplesmente saímos para explorar a cidade e nos divertir. Visitamos espaços criativos, inclusive um pequeno skatepark dentro de um prédio. Havia um andar que não estava sendo usado e o transformaram em uma pista de skate. Sabe? Fiz coisas desse tipo. Quando estou em lugares novos, gosto de sair e conhecer o que existe ao redor. É isso que me marca.

E, para ser sincero, também penso muito em MMA. Essa provavelmente é uma das primeiras associações que faço. Penso em Charles Oliveira e em coisas desse tipo.

Rádio MIX: E como você descreveria a sua relação com os fãs brasileiros?

John: É incrível. Cara, nós deveríamos ter ido para aí recentemente, e eu me sinto muito mal por isso, porque tínhamos planejado fazer uma turnê por aí.

Mas, com a guerra acontecendo no Irã, os preços dos combustíveis dispararam, vários voos foram cancelados e simplesmente não conseguimos chegar a todos os lugares. Não conseguimos fazer a viagem acontecer.

E, sinceramente, essa foi uma das situações mais tristes que vivi nos últimos tempos, porque o Brasil — e, na verdade, toda a América do Sul e a América Central — são lugares que eu adoro visitar. Eu amo tocar música aí. É uma das coisas de que mais gosto. Então, sim, eu só quero voltar. Acho que talvez eu até vá para aí apenas para passear e aproveitar um tempo. E, se eu fosse fazer isso, provavelmente escolheria São Paulo. É para lá que eu iria. Eu iria passar um tempo aí com vocês.

Rádio MIX: Você pode enviar uma mensagem pros seus fãs brasileiros, em especial?

John: Sim. Quero dizer, eu amo vocês. Todos nós amamos vocês. Acho que isso não passa despercebido para ninguém. O famoso “Please come to Brazil” aparece em tudo! “Venha para o Brasil!” está nos comentários de tudo.

Vou dizer uma coisa: todo artista ama o Brasil. Todo artista, sem exceção, adora o Brasil. Então, sim, pode me incluir nessa lista. Eu sou um deles.

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