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Barão Vermelho celebra legado e saúda história do rock nacional com show apoteótico em SP

Com a formação original e participação de Ney Matogrosso, banda celebrou 40 anos de carreira no Allianz Parque
Foto: Natália Barão/Rádio Mix FM

Na noite deste sábado (23), o Barão Vermelho subiu ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para um show único da turnê de encontro que reúne a formação original da banda e celebra seus 40 anos de carreira.

Com Roberto Frejat, Maurício Barros, Guto Goffi e Dé Palmeira de volta aos postos originais que ocuparam desde 1985, o Barão Vermelho abriu a noite com um dos grandes clássicos dos tempos áureos da banda, “Maior Abandonado”, seguindo com a mesma intensidade para “Pedra, Flor e Espinho” e “Pense e Dance”, que fizeram parte de outras eras.

“Começamos essa banda em 1981 junto com o Cazuza, que segue a história até hoje. Vocês não conseguem imaginar o que se passa na cabeça de nós quatro, que começamos a fazer shows lá atrás e hoje estamos aqui em um estádio lotado!”, disse Frejat diante da multidão animada. Apesar de ser difícil imaginar de fato o que estavam pensando, os artistas souberam demonstrar a êxtase de relembrar os velhos tempos entregando performances de grande excelência musical: com solos intensos em faixas como “Política Voz”, “Tão Longe de Tudo” e “Meus Bons Amigos” (esta com a exibição no telão de registros antigos em foto e em vídeo da história da banda), clássicos como “Bete Balanço” e “Ponto Fraco” ganharam uma nova roupagem com os teclados de Maurício Barros e o coro incessante do público ao melhor do rock’n’roll da década de 80.

Ao levar o público de volta a um dos períodos mais importantes para a história do rock nacional, era inevitável que o encontro do Barão Vermelho tivesse as performances marcadas pelos elementos mais característicos da cena, com baterias solos e riffs de guitarra marcantes. Em contrapartida, a presença do restante da banda – especialmente os instrumentistas de sopro – deu ar mais festivo a músicas como “Down em Mim”, “Torre de Babel”, “Declare Guerra”, “Cuidado”, “Não Me Acabo” e “Puro Êxtase”, contrastando com o rock’n’roll mais pesado.

Diante da reunião de Frejat, Maurício, Guto e Dé, era impossível não lamentar a ausência de Cazuza no encontro do Barão Vermelho. Mesmo tendo ficado apenas 5 anos na banda antes de seguir carreira solo, Cazuza foi o responsável por levar a público, pela primeira vez, a mistura entre amor e contestação que se tornariam parte da essência da banda. Por isso, nada mais justo que honrá-lo dedicando também um espaço do show para suas composições solo, como “O Tempo Não Para” e “Codinome Beija-Flor”. Mesmo com as faixas tendo sido cantadas a plenos pulmões pelo público paulista, fizeram falta as performances de “Ideologia” e “Exagerado”, que foram incluídas no show de abertura da turnê no Rio de Janeiro.

Apesar do objetivo de celebrar o legado do Barão Vermelho, a banda também aproveitou o espaço para homenagear outros grandes nomes da música brasileira, cuja importância vai além da cena do rock. Desde às menções honrosas feitas por Frejat à presença de Oswaldo Vecchione (da banda Made in Brazil) na plateia e à obra de Rita Lee e do guitarrista Luiz Carlini com uma versão de “Ovelha Negra” ao final do espetáculo, o show contou com diversos covers no repertório – “Tente Outra Vez”, de Raul Seixas; “Amor, meu grande amor”, de Angela Ro Ro; “Vem quente que eu estou fervendo”, de Eduardo Araújo; “Malandragem dá um tempo”, de Bezerra da Silva (com Maurício Barros nos vocais); e “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, do Legião Urbana. No entanto, o auge das honrarias aconteceu durante a participação especial de Ney Matogrosso: além de ser fundamental para a história do Barão Vermelho enquanto banda (como bem pontuou Frejat quando chamou-o ao palco), sua relação tão ímpar com Cazuza, que rendeu algumas das composições mais bonitas da música brasileira, fez de Ney a única escolha possível que pudesse expressar a grandeza de músicas como “Poema”, “Blues da Piedade” e “Jardins da Babilônia” (em outra homenagem à Rita Lee). 

Dos momentos mais acústicos, como “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, “Por Você” e “Bilhetinho Azul” – esta trazendo apenas os membros originais da banda sozinhos no palco ao som do violão e a batida marcada pelo pandeiro, quase como na versão de estúdio – e “O poeta está vivo”, ao encerramento enérgico da sequência interpretada por Ney Matogrosso “Por que a gente é assim?” e “Pro dia nascer feliz”, o encontro do Barão Vermelho reforçou que, independente do tempo, sempre haverá um público cativo e a fim de “mais uma dose” do bom e velho rock nacional.

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