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Bad Bunny exalta orgulho latino e amor pelo Brasil com primeiro “show inolvidable” em São Paulo

Cantor porto-riquenho faz sua estreia no Brasil com dois shows da turnê “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” em São Paulo
Foto: Nicole Gimenez/Rádio Mix FM

Na noite desta sexta-feira (20), o cantor Bad Bunny se apresentou no Allianz Parque, em São Paulo, com o primeiro show da turnê “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” no Brasil, marcando também sua estreia nos palcos do país.

Após a introdução de um vídeo no telão mostrando dois brasileiros conversando sobre a vinda do artista, Bad Bunny surgiu no palco junto de sua banda, sendo completamente ovacionado pelo público antes de cantar os primeiros versos de “LA MuDANZA”, e também durante a música, a ponto de fazer uma pausa para sentir o carinho dos brasileiros.

Com o primeiro ato do show inteiramente no palco principal do Allianz Parque em meio a um pequeno pitch, Bad Bunny ressaltou imediatamente a proposta da turnê de exaltar a cultura latina. Para além da estética que incluiu o uso do icônico chapéu de palha por um dos membros de sua banda, o artista trouxe uma contagiante mistura dos ritmos de diferentes países da América Latina; desde o reggaeton de “Callaíta” que terminou com um breve riff de “Garota de Ipanema” tocado no cuatro (tipo de violão) e as influências caribenhas de “PIToRRO DE COCO”, até a participação especial da banda Chuwi na parceria “WELTiTA”.

Mesmo desacelerando um pouco o ritmo em “TURiSTA”, Bad Bunny ficou visivelmente emocionado com a ação feita pelos fãs de iluminar o estádio com papéis celofane verde e amarelos colocados nas lanternas dos celulares, como forma de fazer com que o artista se sentisse o mais nativo possível. “Estou muito feliz que realizei o sonho de visitar o Brasil. Obrigado por isso. Muito obrigado, do fundo do meu coração”, disse Benito em português. Com a iluminação agora pelas câmeras distribuídas no início do show, a performance de “BAILE INoLVIDABLE” trouxe um dos momentos mais catárticos da noite (apesar da introdução um pouco extensa de sintetizadores), com um forte coro e danças do público na pista que também foram mantidos na seguinte “NUEVAYoL”, esta marcada ainda por alguns solos dos instrumentos de sopro.

Exaltando ainda mais o conceito do álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, o sapo Concho apareceu no telão para contar ao público sobre o quanto estava curtindo sua primeira vez no Brasil inclusive por ter provado algumas de nossas comidas mais típicas, como feijoada, pão de queijo, moqueca e acarajé. Seguindo para o segundo ato do show, Bad Bunny surgiu usando uma camiseta do Brasil e um óculos Juliet enquanto cantava os versos de “VeLDÁ” e dançava em meio aos fãs presentes na Casita, uma espécie de palco secundário que replica as varandas das casas de Porto Rico.

Relembrando um pouco do “trapaeton” (mistura de trap e reggaeton) que marcou as eras anteriores do cantor, a sequência de “Tití me preguntó”, “Neverita” e “Si veo a tu mamá” transformou o Allianz Parque quase numa espécie de balada latina, com um grande show de luzes e o público replicando movimentos de dança característicos do estilo musical. Após um longo momento interagindo com às pessoas mais próximas à grade, Bad Bunny escolheu um fã para subir à Casita e cantar o primeiro verso de “VOY A LLeVARTE PA PR” antes da performance enérgica da faixa. 

Ao emendar a sequência de hits “Me porto bonito”, “No me conoce”, “Bichiyal”, “Yo perreo sola”, “Efecto”, “Safaera” e “Diles”, Bad Bunny trouxe à Casita uma atmosfera que pode ser comparada até mesmo às house parties, que fizeram parte da cultura dos adolescentes que viveram especialmente a década de 2010. Após uma performance instigante de “MONACO” (única faixa representante do álbum “nadie sabe lo que va a pasar mañana”), o cantor elevou a energia do público ao revelar “VETE” como música exclusiva acrescentada à setlist do show em São Paulo (pelo menos da primeira noite). Antes de encerrar o ato, Bad Bunny deu à festa da Casita um toque mais tropical com os membros do grupo Los Pleneros de la Cresta trazendo uma versão mais puxada para o samba de “CAFé CON RON”, e com uma pequena menção aos inconfundíveis “oariá raiô, obá obá obá” da música “Mas Que Nada”, do brasileiro Sérgio Mendes.

De volta ao palco principal, o último ato foi introduzido por um vídeo do ator porto-riquenho Jacobo Morales (que participou do curta-metragem de “Debí Tirar Más Fotos”) trazendo uma emocionante reflexão sobre a vida enquanto aparecia diante de alguns pontos turísticos do Brasil, como o Pelourinho, na Bahia, e o MASP e o Theatro Municipal de São Paulo. Cercado pelos dançarinos de seu balé e vestindo seu icônico gorro russo, Bad Bunny intensificou a conexão com o público na performance de “Ojitos Lindos”, especialmente nos versos “tú y yo”, ditos olhando “nos olhos dos fãs” através da câmera que o filmava pelo palco.

Depois de contagiar todos os presentes com a sequência de “La canción” e “KLOuFRENS” (esta fazendo jus à função de “amigos próximos” do Instagram ao mostrar pessoas da plateia no mesmo template da plataforma), “DÁKITI” teve em seu encerramento propositalmente abrupto um novo pico de energia para a performance de “El apagón”, que, em referência às constantes crises de energia em Porto Rico, teve sua primeira metade apresentada apenas no palco, com as imagens do telão exibidas apenas e um segundo momento – mas que, em nada interferiu na eletricidade do público.

“Muito obrigado, Brasil! Obrigado por essa noite, por essa energia, por como receberam dessa primeira vez, que vai ser a primeira de muitas. Obrigado por aceitarem minha música, minha cultura. Obrigado à minha família latino-americana”. Se o agradecimento de Bad Bunny já teria dado a emoção necessária à tão aguardada performance de “DtMF”, o hit viral foi ainda o grande responsável pela síntese do disco vencedor do Grammy 2026 de “Álbum do Ano”: registrar a alegria e a importância de se viver o momento presente ao lado das pessoas que fazem parte de nossas vidas – inclusive os desconhecidos com quem assistimos a um show. Mesmo com as emoções à flor da pele ao fim, o “baile inolvidable” que marcou a estreia de Bad Bunny no Brasil terminou no auge com a enérgica “EoO” e a vontade de sempre celebrar nossas raízes latino-americanas.

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